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  • TJSP Reduz Juros Abusivos da Crefisa em Empréstimo Pessoal

    TJSP Reduz Juros Abusivos da Crefisa em Empréstimo Pessoal

    São Paulo, 27 de agosto de 2025 — Em um acórdão recente, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) manteve a decisão de primeira instância que considerou abusivas as taxas de juros cobradas pela Crefisa S/A Crédito, Financiamento e Investimentos em um contrato de empréstimo pessoal. O julgamento, conduzido pela 24ª Câmara de Direito Privado, destacou a importância de proteger o consumidor contra práticas excessivamente onerosas.


    A ação foi movida por uma consumidora contra a Crefisa. O caso se baseou em um empréstimo pessoal, firmado em 02 de março de 2021, no valor total de R$ 1.855,60

    As taxas de juros aplicadas pela Crefisa eram de 18% ao mês e 628,76% ao ano , consideradas pelo Tribunal como “excessivamente onerosas” e que “exigem do consumidor vantagem manifestamente excessiva”. 

    O acórdão aponta que essa prática é vedada pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), em seus artigos 39, V, e 51, IV.

    O relator do caso, Desembargador Salles Vieira, e os Desembargadores Plinio Novaes de Andrade Júnior e Jonize Sacchi de Oliveira, que participaram do julgamento na 24ª Câmara de Direito Privado, basearam sua decisão na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Código de Defesa do Consumidor (CDC). 

    O acórdão ressaltou que, embora as instituições financeiras não estejam sujeitas a uma limitação fixa de juros, a cobrança deve ser analisada à luz da taxa média de mercado.

    O acórdão detalha que a taxa de juros praticada pela Crefisa era “superior ao triplo da taxa média de mercado”. De acordo com um documento obtido junto ao site do Banco Central do Brasil (BACEN), a taxa média de juros para operações da mesma natureza, no mês de março de 2021, foi de 5,27% ao mês e 85,21% ao ano

    O documento cita o entendimento do STJ de que é possível a revisão da taxa de juros se for verificada abusividade. Além disso, o próprio site do BACEN, citado no documento, define que a taxa média de juros representa “a média das taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras em cada modalidade de crédito”.

    A decisão judicial determinou que a Crefisa deve proceder ao recálculo da dívida, utilizando a taxa média de mercado do Banco Central do Brasil para o período, e realinhar o contrato. O acórdão reforça que “a utilização da taxa média de mercado, divulgada pelo Bacen, em caso de reconhecimento de abusividade na contratação dos juros remuneratórios, é a solução”. 

    O caso reforça a atuação do judiciário na proteção do consumidor e serve como um alerta para que as instituições financeiras pratiquem taxas de juros dentro dos limites da razoabilidade e da boa-fé. 

    O acórdão completo pode ser acessado pelo número de processo 1001210-66.2022.8.26.0659 no site do TJSP

  • Renegociação de Dívidas com Bancos: Os Riscos que Você Precisa Conhecer

    Renegociação de Dívidas com Bancos: Os Riscos que Você Precisa Conhecer

    A renegociação de dívidas com bancos é uma prática comum para pessoas físicas que enfrentam dificuldades financeiras. Embora possa parecer uma solução imediata para aliviar o peso das dívidas, esse processo envolve riscos significativos que, se não forem bem compreendidos, podem comprometer a saúde financeira no longo prazo. Este artigo, elaborado com base na expertise em Direito Bancário, tem o objetivo de informar sobre os perigos da renegociação direta com instituições financeiras e destacar a importância de uma análise jurídica cuidadosa para proteger os direitos do consumidor. A seguir, apresentamos os principais riscos e orientações para lidar com esse desafio de forma consciente e segura.

    A Complexidade da Renegociação: Riscos Ocultos nos Contratos

    Quando um banco propõe uma renegociação, a oferta costuma incluir parcelas menores ou prazos mais longos, o que pode parecer vantajoso à primeira vista. No entanto, os contratos frequentemente contêm condições que aumentam o custo total da dívida. Entre os principais riscos estão:

    • Juros Compostos e Custo Total Elevado: O alongamento do prazo da dívida pode reduzir o valor das parcelas mensais, mas, devido aos juros compostos, o montante total pago pode crescer significativamente. Por exemplo, uma dívida de R$ 10 mil com juros de 2% ao mês, renegociada por um prazo maior, pode resultar em um pagamento total que ultrapassa o dobro do valor original em poucos anos.
    • Taxas e Encargos Embutidos: Contratos de renegociação podem incluir taxas administrativas, seguros obrigatórios ou outros custos que não são claramente informados. Esses encargos, muitas vezes apresentados em cláusulas de difícil compreensão, podem aumentar o valor da dívida em percentuais significativos.
    • Ciclo Prolongado de Endividamento: A prática de capitalização de juros, comum em renegociações, faz com que o saldo devedor cresça continuamente, dificultando a quitação total. Esse ciclo pode levar a um endividamento prolongado, com parcelas que se tornam difíceis de sustentar.

    Antes de aceitar uma proposta de renegociação, é recomendável buscar orientação jurídica para avaliar as condições do contrato. Um advogado especializado em Direito Bancário pode analisar cláusulas, identificar possíveis abusos e esclarecer os impactos financeiros do acordo, garantindo uma decisão informada.

    Negociação Direta: Uma Relação Desequilibrada

    Negociar diretamente com o banco, sem conhecimento técnico ou suporte jurídico, pode colocar o consumidor em desvantagem, já que as instituições financeiras possuem equipes especializadas e contratos elaborados para proteger seus interesses. Alguns desafios incluem:

    • Cláusulas Técnicas e Confusas: Os contratos bancários frequentemente utilizam linguagem jurídica complexa, dificultando a identificação de condições desvantajosas. Cláusulas que parecem inofensivas podem esconder custos adicionais ou limitações de direitos.
    • Renúncia a Direitos: Certos acordos incluem cláusulas de “quitação plena”, que podem impedir o consumidor de questionar cobranças indevidas do passado, mesmo que sejam contrárias à legislação, como juros abusivos ou taxas não autorizadas.
    • Pressão para Decisões Rápidas: Bancos muitas vezes utilizam estratégias que criam senso de urgência, incentivando o consumidor a aceitar a proposta sem tempo suficiente para análise. Essa pressão pode levar a acordos desfavoráveis.

    A consulta a um advogado especializado pode ajudar a equilibrar essa relação, garantindo que o consumidor compreenda os termos do contrato e tenha seus direitos protegidos. Uma análise jurídica detalhada pode identificar práticas abusivas e orientar sobre os melhores caminhos para a negociação.

    Impactos de uma Renegociação Mal Planejada

    Uma renegociação conduzida sem planejamento pode oferecer alívio temporário, mas suas consequências podem afetar a vida financeira do consumidor por anos. Entre os principais impactos estão:

    • Pressão no Orçamento Pessoal: Mesmo com parcelas reduzidas, o pagamento contínuo de uma dívida renegociada pode comprometer a renda mensal, dificultando o custeio de despesas básicas, como moradia, alimentação ou saúde. Por exemplo, destinar 30% da renda a parcelas pode limitar a capacidade de poupar ou lidar com imprevistos.
    • Restrição de Acesso a Crédito: Um acordo mal estruturado pode ser registrado em sistemas de proteção ao crédito, como SPC e Serasa, dificultando a obtenção de novos empréstimos, financiamentos ou cartões de crédito, o que pode limitar projetos pessoais, como a compra de um imóvel ou veículo.
    • Impacto no Bem-Estar: A pressão financeira de uma dívida mal negociada pode gerar estresse, ansiedade e até conflitos familiares, afetando a qualidade de vida e a capacidade de planejar o futuro.

    É essencial avaliar a renegociação no contexto do orçamento pessoal, considerando a renda disponível e as despesas prioritárias. Um profissional jurídico pode ajudar a estruturar um plano que minimize esses impactos, garantindo maior equilíbrio financeiro.

    Contratos Restritivos: Limitações que Podem Comprometer o Futuro

    Assinar um contrato de renegociação sem análise detalhada pode resultar em compromissos que limitam a liberdade financeira do consumidor. Alguns pontos de atenção incluem:

    • Exigência de Garantias: Bancos podem solicitar bens pessoais, como veículos ou imóveis, como garantia da dívida renegociada. Um atraso no pagamento, mesmo que pequeno, pode levar à perda desses bens, comprometendo o patrimônio do consumidor.
    • Multas e Penalidades: Atrasos em parcelas podem gerar multas elevadas ou a execução imediata da dívida, agravando a situação financeira. Essas penalidades são frequentemente previstas em cláusulas pouco claras.
    • Falta de Flexibilidade: Muitos contratos de renegociação não permitem ajustes, mesmo em casos de mudanças na situação financeira, como perda de emprego ou redução de renda.

    A análise jurídica de um contrato antes da assinatura é fundamental para identificar condições restritivas e proteger o consumidor. Um advogado pode esclarecer os riscos e sugerir alternativas que garantam maior segurança e flexibilidade.

    Alternativas para uma Gestão Consciente das Dívidas

    Renegociar diretamente com o banco não é a única opção para enfrentar dificuldades financeiras. Existem caminhos que podem oferecer maior proteção aos direitos do consumidor:

    • Revisão de Contratos Anteriores: Muitos contratos bancários contêm irregularidades, como juros acima do permitido pela legislação ou taxas indevidas. Uma análise jurídica detalhada pode identificar essas práticas e possibilitar a redução do valor devido.
    • Negociação Informada: Com base em uma análise técnica, é possível negociar com o banco condições mais justas, que respeitem a capacidade de pagamento do consumidor e estejam em conformidade com o Código de Defesa do Consumidor.
    • Planejamento Financeiro: Além da renegociação, é importante organizar o orçamento pessoal, priorizando despesas essenciais e buscando estratégias para reduzir o endividamento, como a substituição de dívidas caras por opções mais acessíveis, quando viável.

    A orientação jurídica pode ajudar o consumidor a explorar essas alternativas, garantindo decisões que protejam seus direitos e promovam a estabilidade financeira. Um advogado especializado pode oferecer suporte técnico para avaliar contratos, negociar com o banco e planejar soluções adequadas.

    A Importância da Informação e da Orientação Jurídica

    A renegociação de dívidas com bancos pode ser uma ferramenta útil, mas exige cuidado para evitar armadilhas que comprometam a saúde financeira no futuro. Juros elevados, cláusulas restritivas e custos ocultos são riscos reais que podem transformar um alívio temporário em um problema duradouro. A orientação de um advogado especializado em Direito Bancário é essencial para garantir que o consumidor compreenda os termos do contrato, identifique práticas abusivas e tome decisões informadas.

    Este artigo tem o objetivo de informar e conscientizar sobre os desafios da renegociação de dívidas, reforçando a importância de buscar conhecimento e suporte técnico antes de assinar qualquer acordo. A proteção dos direitos do consumidor começa com uma abordagem consciente e bem orientada, sempre em conformidade com a legislação vigente e os princípios éticos da advocacia.

    Dr. Cláudio Manoel Molina Boriola, fundador da Boriola Advocacia, atua com foco em Direito do Consumidor, Direito Civil e Direito Bancário. Nosso compromisso é com a excelência e a busca incessante pelos melhores resultados para cada cliente.

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